Monday, May 25, 2009
Tuesday, April 07, 2009
Monday, March 30, 2009
QUE MUITO AMOU - BOA RECEPÇÃO DE PÚBLICO E CRÍTICA
Foto: Diego Pisante / CLIX
Foto: Diego Pisante / CLIX
BEM PARANÁ (Avaliação do Crítico Fernando Klug)
Cultura
30/03/09 17:14
Festival de Curitiba
Fernando Klug/ Especial para o JE
Não foram muitos os erros básicos da “Mostra de Teatro de Curitiba”. Espetáculos cancelados por descuido, estacionamento “obrigatório e pago” lá na FIEP, mudanças de local de espetáculos sem respeitar a fila em que a pessoa comprou dão ar de descaso aos grupos e ao público. Erros acontecem, diria você. Concordo. Mas tão básicos e tantas vezes, me pergunto como pode. Chamo “mostra” sem desrespeito; não é um festival, mas a maior mostra da América Latina. E, ano a ano, a sugestão: por que não diminuir a quantidade e melhorar a qualidade?
Rosa de Vidro: trouxe uma adaptação um tanto melodramática de Tenessee Williams. Perde-se a reflexão sobre o texto. Não entendi o porquê, interpretação over das atrizes e naturalista dos atores. Aliás, o espetáculo não se define entre expressionista ou realista e a mãe torna-se, em dado momento, estranhamente histriônica. Destaque para Ricardo Gelli – o amigo - em atuação que preserva a sutileza e a inteligência do autor.
As Bruxas de Salém (The Crucible): sintetizar o longo e fenomenal texto de Arthur Miller – de carpintaria exata - é como tentar resumir poesia. E o esforço da Cia.8 já erra na escolha de tradução portuguesa, onde termos como quinta, e miúdos atrapalham a compreensão e fazem parecer que a ação se passa na Europa, e não em Massachussets. Os cortes, se deixam claro o enredo, reduzem a compreensão do amplo espectro de razões – políticas e psicológicas - dos personagens. Não é Miller. O elenco parece ter uma dimensão muito aquém da violenta repressão da sociedade calvinista (e do período macarthista); e do perigo que correm seus personagens: é mais que sua vida, em jogo, a cada momento. As movimentações são funcionais, é preciso que o elenco reveja se há sentido nelas, para seu personagem. E deve cuidar para não “comer” os finais das frases. E mais: Danforth jamais poderia aparentar fraqueza. Ele é a metáfora do fascismo do senador Macarthy. E os representantes do poder da Igreja (Hale e Macarthy), se aqui interessantemente representados por atores negros, não poderiam ter o mínimo traço gay, nessa sociedade dominada pelo calvinismo.
Ultimas Noticias de Uma Historia Só: bom texto e direção de Otávio Martins, despojado e sutil. Interpretações convincentes, tanto nas notícias – com se a voz dos narradores fosse a teoria do caos no leve sarcasmo do destino - como na história tragicômica de seqüestrador e sequestrada. O único senão é quando os atores da história vêm auxiliar na narrativa: têm dificuldade em largar os personagens. É uma peça paulistana, sobre São Paulo e de influências bortolotianas. Que bom.
Que Muito Amou: O ator Antônio Rodrigues realiza uma direção de humildade: cenário, luz e som criam ambientação para brilhar o mundo de Caio Fernando Abreu. Textos curiosos, personagens cativantes, belo espetáculo. Pode ser que seja proposital que a interpretação um tanto marcada de Ana Dulce faça escutarmos o texto. Seguida, a de Antônio Rodrigues nos faz ver texto na voz de um personagem. Completando, Marcelo Francisco já é a própria personagem, viva, além do texto. A impressão é de que Caio se baseou nele, e não o contrário. Ator de recursos com caminho aberto para onde quiser ir.
Buck Na Rua: esses caras são engraçados. A peça poderia acontecer em qualquer palco, mas o inteligente Fernando Maatz a trouxe para a rua. Talvez porque a projeção obrigue os atores a dar o texto em tom de vômito, para fora, o que combina com Bukowski. Poderiam ter escolhido local com melhor acústica e vizinhança menos barulhenta, mas as 324 pessoas (contei) não arredaram pé entre as três histórias, repletas de sarcasmo, palavrões e erotismo explícito. Cartas do Poeta – processo de criação: tem sempre aquele espetáculo que a gente achou o melhor. Neste Festival, foram dois: O Estrangeiro e esse aí. O diretor Eric Lenate e o ator Ivo Müller, em processo de criação do espetáculo, escolheram nos mostrar trechos da obra do austro-húngaro Rainer Maria Rilke que falam por si só. Como dar a nós mesmos a possibilidade de viver a poesia? De que ela se revele a nós? Neste espetáculo de rara sensibilidade, silencioso, repleto de imagens, o espectador se sente presenteado. Inteligência, sentidos, verbo e carne. Aqui se compreende a arte como alimento da alma. E, além de tudo, não está pronto. Esperemos.
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CURITIBA INTERATIVA
Foto: Diego Pisante / CLIX
http://www.curitibainterativa.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=16948
Que Muito Amou é forte e intensa
Ilana Stivelberg
26.03.2009
O amor nas formas irreversíveis. Esse é o tema central da peça recifense Que Muito Amou, baseada nos contos do livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, de Caio Fernando Abreu. O título da peça é inclusive a frase que Caio F. – como gosta de ser chamado – pediu para que estivesse escrita em sua lápide.
A obra, talvez a mais intensa de Caio Fernando, foi muitíssimo bem explorada pelos atores que fazem uso impecável de movimentos corporais. São três. Cada um com sua história. Três monólogos. A amante que ganha sapatos vermelhos, mas cansada de ser a outra, tem uma noite luxuriosa com outros três homens – descrita com detalhes e desenvoltura na peça. O homem confuso que mata seu amado, Dudu, e o procura em cada corpo e canto da cidade. E a Dama da Noite, um travesti que conversa com um rapaz (o boy) de 20 anos sobre a vida promíscua de sexo, amor, drogas e, a Aids.
O texto denso, cru e forte, associado a ótimas atuações são socos no estômago do espectador. Os aspectos técnicos como iluminação, sonoplastia e fumaça (muita fumaça) colaboram ainda mais para essa confusão de sensações de Que Muito Amou e quem muito amou.
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JORNAL O POVO - CE
Vida & Arte
Fringe 
http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/865827.html
Sobre distâncias e visibilidades
Os grupos vêm de longe, cruzam o Brasil enfrentando horas de voo e/ou quilômetros de estrada, do Nordeste até o Sul. Fazem sacrifício e arcam com todas as despesas para se apresentar no Fringe, a mostra aberta do Festival de Curitiba, mesmo sem saber se valerá a pena
Angélica Feitosa enviada a Curitiba - 28 Mar 2009 - 00h51min
"Muitos grupos com bons espetáculos, textos e montagens bem cuidadas podem passar despercebidos se não tiver o público especializado que os veja”, acredita o diretor pernambucano da Cia do Ator Nu, Breno Fittipaldi. Acompanhado do ator Henrique Ponzi, ele fazia panfletagem na porta de outros espetáculos, estratégia para chamar atenção em meio a 290 peças inscritas no Fringe, a mostra aberta do Festival de Curitiba. O objetivo era divulgar o monólogo Fio invisível da Minha Cabeça, baseado na obra de Caio Fernando Abreu e protagonizado por Henrique.
Os meninos da Cia do Ator Nu farão até domingo quatro apresentações. Tudo é muito incerto: não há garantia de público ou mesmo de visibilidade da imprensa e da crítica. O festival ainda preparou-lhes uma surpresa não tão agradável assim: o espaço de apresentação, no Solar do Rosário, tem um piano de cauda, dos maiores, no meio da sala onde entra em cartaz a montagem. O equipamento não tem absolutamente nenhuma relação com o espetáculo. “É uma sala de aula e a gente não pode mexer no piano. É difícil trabalhar nessas condições, porque o espetáculo é para ser mais íntimo, próximo. O jeito foi se adequar”, explica o diretor Breno.
Se os festivais em geral são os principais espaços de visibilidade para os grupos, Curitiba carrega a responsabilidade de ser ainda mais representativo. Por isso mesmo os também pernambucanos da Companhia Cênicas de Repertório calculam 10 mil reais do que eles chamam de investimento para o Fringe. “Isso sem contar com o excesso de bagagem”, brinca o diretor Antônio Rodrigues. O grupo tentou apoio estadual e municipal para os custeios da viagem. O primeiro negou e o segundo ainda não deu resposta. “A esperança é de ressarcimento da Prefeitura de Recife”, considera Antônio. O diretor diz que dois fatores foram fundamentais na decisão de ir a Curitiba. O espaço disponibilizado pela organização ao grupo, o Teatro Mini Guairá e a crença no espetáculo Que Muito Amou, já apresentado no Ceará, no Festival Nordestino de Teatro de Guaraminga, ano passado. “Um festival sempre traz a possibilidade de conhecer outros grupos, de dialogar, de somar ao nosso trabalho. Mas a gente sabe que é sempre um tiro no escuro. O sacrifício pode não dar resultado nenhum”, formula. O espetáculo estreou na última quinta, com público esvaziado, mas com a presença de jornalistas e críticos de várias partes do país.
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Jornal do Comércio 27-03-2009
http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/03/27/not_324280.php
RECIFE BARRA-PESADA
Foto: Diego Pisante / CLIX
Ontem, a trupe Cênicas Cia. de Repertório estreou em Curitiba a peça Que muito amou, apresentada ao meio-dia no teatro Mini-Guaíra. Depois de sofrer algumas alterações – como a inclusão da atriz Ana Dulce Pacheco, que, apesar do nervosismo, apresentou-se bem –, a peça, que faz parte do repertório do grupo, mostrou-se mais coesa. É um espetáculo honesto, onde o texto de Caio Fernando Abreu (Sapatinhos vermelhos, Praiazinha e Dama da noite) mostra aqueles que estão “fora da roda-gigante”, limitando-se a observar os bem-aventurados donos de um amor ou de uma casa própria. São situações barra-pesada, onde a sensação de perda é uma constante.
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Site Uol - Mix Brasil
http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/3_51_72001.shtml
Ovelhas brancas 1/4/2009
Mais uma vez, Festival de Teatro de Curitiba apresentou versões do assumido Caio Fernado Abreu
Por Rodolfo Lima
Caio Fernando Abreu (1948 – 1996) é presença obrigatória na programação teatral do Festival de Curitiba. Entra ano e sai ano e você pode procurar, há adaptações dos contos do autor gaúcho. Na 18° edição que terminou no último dia 29 de março, não foi diferente. O público pode conferir: “A maldição do vale negro” (SP), dirigida por Jamil Dias Pereira; “Pela Passagem de uma Grande dor” (PR) e as pernambucanas “Que muito amou” e “Fio invisível da minha cabeça”.
“Pela Passagem de uma grande dor” trazia jovens atores curitibanos que representavam personagens que não se comunicam com eficiência, que busca o outro incansavelmente e que permanecem solitários no meio do caminho. Além do conto-título o grupo se utilizou – entre outros trechos – de contos como: “Visita” e “O dia em que Júpiter encontrou Saturno”. Cheio de clichês a montagem – oriunda de um trabalho escolar – não trouxe nada de novo para a cena curitibana e a falta de apropriação do texto, dado a imaturidade dos interpretes tornou tudo pueril e frágil.
“Fio invisível da minha cabeça” é o nome dado ao monólogo encenado a partir do conto “Além do Ponto”. A montagem é simples, sem recurso e protagonizado por Henrique Ponzi – visto como um promissor ator recifense. Porém a encenação barulhenta tornou inaudível o texto e o trabalho corporal do ator contribuiu para poluir ainda mais o que não estava legível. O conto é simples, conta à história de um homem que no meio da chuva, caminha em direção a casa do outro e no caminho, devaneia em como esconder a própria decadência. Nada na direção de Breno Fittipaldi contribuiu para que a clareza do conto fosse posto em cena.
Também de Recife, “Que muito Amou” se mostrou mais eficiente e honesto em trazer um “Caio” sem grandes artifícios, ressaltando o texto e suas nuances. A direção de Antonio Rodrigues encena: “Os Sapatinhos Vermelhos”, “Uma praiazinha de areia bem clara, ali na beira da sanga” e “Dama da Noite”, ambos de “Os Dragões não conhecem o paraíso”, livro de 1989 que rendeu ao autor um prêmio Jabuti.Em Curitiba a montagem não utilizou o cenário da concepção original, o que deixou mais limpa a proposta, que conta com a bela voz da francesa Emilie Simon e uma iluminação eficiente. Rodrigues não ousou e a obviedade das cores pretas e vermelhas, os cubos, a utilização das máscaras e uma das músicas utilizadas na trilha sonora – por exemplo – torna datado e enfraquecem a encenação no todo. Ana Pacheco estreava na interpretação de Adelina, que usa sapatos vermelhos no intuito de atrair homens e sai à caça deles pela noite. O texto é difícil e a direção não resolve bem a encenação do conto. Audível, porém nada se acrescenta ao que está sendo visto. É uma história que precisa da relação de Adelina com os homens que encontra – no caso são três ao mesmo tempo – ou uma melhor adaptação do conto para que não fiquem visível as dificuldades que a trama oferece, para que seja montada a contento.“Uma praiazinha...” defendida pelo próprio diretor, relata a relação homoafetiva de dois amigos. Rodrigues deixou mais leve e menos sombria a história e resolve bem a mistura de interpretação, trabalho corporal e resoluções cênicas sem contar com grandes recursos de adereços e luz. È o contraponto entre o primeiro conto encenado (frágil) com o terceiro. Cabe a Marcelo Francisco (foto) defender o conto mais famoso – por ventura o mais montado – do autor. “Dama da Noite” é encenada com pequenos cortes no original – em vez de Mr. Wonderful, a personagem cita a marca Colcci; não é citado o Instituto de Infectologia Emilio Ribas e nem a atriz Isabel Rosselini – e permeada com a óbvia “I Will Survive”. A direção também não tornou limpa a interpretação de Francisco. Há divergências dos leitores do conto original quanto ao gênero da personagem. Alguns defendem ser uma mulher, outros uma drag. A própria trans Claudia Wonder afirma que o conto foi escrito para ela. Na montagem não se sabe o que o ator representa. Seria uma drag queen? Uma travesti? Ou uma bicha-loca-bêbada-montada? Porém ao fazer tal questionamento também me pergunto se há uma definição clara entre os exemplos citados acima, quando representados em cena. Essa falta de definição faz com que o ator tenha uma interpretação - em alguns momentos – histriônica, fragilizando assim a força do texto, o impacto do belo figurino, da iluminação e das palavras cortantes de Caio Fernando Abreu. Mesmo com ressalvas, Francisco, Ana, Rodrigues, Fittipaldi e Ponzi são as novas ovelhas arrebatadas pela obra do autor.
Ficha Técnica
RECIFE - Pernambuco Direção: Antônio Rodrigues da Silva Filho.
Com Ana Dulce Pacheco, Antônio Rodrigues, Marcelo Francisco. Cênicas
Companhia de Repertório http://www.cenicascia.com.br/
Serviço
Datas: 26/03 - 12:00, 27/03 - 18:00, 28/03 - 21:00, 29/03 - 12:00
Gênero: Drama Preços: R$ 20,00 e R$ 10,00
Local: Teatro Guaíra (Mini-Guaíra)- Rua Amintas de Barros s/n Duração: 60'
Saudações Dionisíacas
Thursday, March 19, 2009
Cênicas Cia é Notícia - Festival de Teatro de Curitiba
Maior evento de artes cênicas do Brasil, o Festival de Teatro de Curitiba tem início esta terça-feira (17), quando ocorre a festa de abertura do evento. Em sua 18ª edição, o festival recebe mais de 300 peças, entre espetáculos de atores ou companhias consagradas, de iniciantes e infantis.

Jornal do Comércio - PE

Site - A CAPA - SP

Evoé.
Tuesday, February 03, 2009
Monday, January 26, 2009
Wednesday, January 14, 2009
Tuesday, May 16, 2006
***Sua História***
"Transe"(2002) de Ronald Radde
"Apaga a Luz"(2003) de Ronald Radde
"Que Muito Amou"(2005) de Caio Fernando Abreu
http://www.aids.gov.br/main.asp?View={DA56F374-128A-40FB-B16F-D08A1F5DD07B}&BrowserType=IE&LangID=pt-br¶ms=itemID={ADE09091-E5C7-4542-BBC1-CCDF48E277D1};&UIPartUID={D90F22DB-05D4-4644-A8F2-FAD4803C8898}#
"Neuroses a comédia"(2006) de Yuri Yamamoto, Antônio rodrigues, Sergio Roveri, Rogério Mesquita e Felipe Botelho.
Cênicas Companhia de Repertório
por Antônio Rodrigues (Ator e diretor da Cia.)
Em 2001, um sonho que nem tínhamos dimensão do tamanho começou a se tornar real. O Cênicas Companhia de Repertório nasceu da iniciativa de atores com objetivos afins, na formação de um grupo de teatro em que pudessem experimentar o fazer teatral, dando ênfase à pesquisa da linguagem de cena e do trabalho do ator. Em sua maioria os atores eram oriundos a cidade de Garanhuns
Apesar de morarmos no Recife já há bastante tempo, foi o interior que abriu as portas para a nossa estréia nos palcos em 19 de junho de 2001, no Teatro Luiz Souto Dourado do Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, durante a mostra seletiva para o XI Festival de Inverno de Garanhuns. Motivados pelos estudos sobre o Teatro do Absurdo chegamos a um grande expoente dessa corrente, o francês Jean Tardieu. O texto chegou até nós através de um de nossos integrantes, o ator Jeff Nascimento. A identificação foi imediata, a partir das primeiras leituras, fomos mergulhando num mundo de possibilidades que, somente mais à frente, pudemos perceber que aquele marcava o princípio de uma busca pela nossa própria linguagem cênica.
O atual corpo de atores do grupo é formado por: Antônio Rodrigues, Cláudio Malaquias, Juliana de Almeida, Ana Souza, Fernanda Angelim, Sônia Carvalho e Marcelo Francisco, além de Valdemir Rodrigues e Alexandre Siqueira na produção e em treinamento os atores Alexandre Guimarães e Vinícius. Passaram pelo grupo os atores: Cleyton Cabral, Luciana Pontual, Eduardo Japiassú, Jefferson Nascimento, Ana Dulce Pacheco, Maria Elisa Moura, Lícia Semírames Karina Cavalcanti e Lílian Fereirra, estes ainda fazem participações especiais em nossos trabalhos, são parte de nossa história e peças chaves na construção da nossa trajetória. Sem contar com os convidados que abrilhantaram ainda mais nossos trabalhos: Jorge de Paula, Maria Luiza Lopes, Vanessa Lins, Diego Silva, Augusto Mendonça, Ana Souza, Patrícia Moreira, Alan Roger e Edjalma Freitas.
Nossa primeira montagem foi Um gesto por outro (2001) (2): o famoso texto de Jean Tardieu na ótica de uma companhia jovem. Retomar uma dramaturgia de qualidade foi o mote para nosso primeiro trabalho. Tardieu se tornou um dos autores cuja obra representa uma das maiores gamas de experimentação no Teatro do Absurdo. Foi um campo de grandes experimentações, apesar de ser um texto escrito há mais de 50 anos, sua temática é bastante atual e isso foi uma das principais identificações com a dramaturgia escolhida, começamos com o pé direito.
A crítica ao high society em forma de jogo teatral estava diretamente relacionada com o que queríamos dizer naquele momento. Um mundo cheio de convenções e regras de etiquetas, no qual as pessoas reproduzem o que são as regras impostas pela alta sociedade. Um prato cheio para ironia e para o bom humor que Tardieu traz em seus trabalhos. Estreamos Um gesto por outro na VIII Mostra de Artes Cênicas de Garanhuns, fomos premiados e ganhamos o direito de fazer a abertura da mostra de Teatro do XI FIG, Festival de Inverno de Garanhuns, em 13 de julho de 2001. Ficamos em segundo lugar, levando os prêmios de melhor atriz (Duvennie Pessoa), figurino, maquiagem, cenário, coreografia além de outras indicações como, direção, iluminação, sonoplastia, ator (Antônio Rodrigues), atriz (Sônia Carvalho) e atriz revelação (Luciana Pontual).
Depois disso, participamos do Projeto Educação para o Teatro, pisando pela primeira vez em palcos recifenses no Teatro Barreto Júnior, dirigido por Oswaldo Pereira. Mas a grande projeção tanto do espetáculo como do Cênicas Cia. foi a nossa primeira temporada regular e isso se deve principalmente a figura de Roberto Lúcio, diretor do Teatro Joaquim Cardozo à época. Participamos de concorrência de pauta e fizemos uma temporada de dois meses no segundo semestre de 2002, que foi estendida por mais um mês, a pedido do público. Foi um momento muito feliz e que nos deu muita sorte.
Já havíamos estreado o nosso segundo espetáculo, Transe (2002), de Ronald Radde, com grande aceitação em Garanhuns, vencendo a IX Mostra de Artes Cênicas, levando os prêmios de melhor espetáculo, atriz (Duvennie Pessoa), ator revelação (Edjalma Freitas), figurino, maquiagem, iluminação e coreografia, além de outras indicações como, direção, atriz (Luciana Pontual), ator (Antônio Rodrigues), cenário e sonoplastia. Sendo assim selecionados para participar pelo segundo ano consecutivo do XII FIG, em julho de 2002, e fazendo posterior temporada no Teatro Arraial em 2003.
A temporada de Um gesto por outro no Teatro Joaquim Cardozo nos permitiu participar do Janeiro de Grandes Espetáculos em 2003, no qual levamos o prêmio especial do júri de Melhor Conjunto de Elenco. Isso foi bastante importante, uma vez que coroava o trabalho coletivo que estava sendo feito com os atores do grupo. Participamos de outros festivais com Um gesto por outro: Todos Verão Teatro, II Feneteg (Prêmio de atriz coadjuvante para Luciana Pontual) e do Festival de Teatro de Curitiba em 2003, juntamente com Transe. A primeira vez em Curitiba foi bastante arriscada, fomos com a cara e a coragem, numa produção coletiva, sem verbas suficientes para a viagem. Tivemos uma boa recepção do público e dos poucos jornalistas que assistiram aos espetáculos, porém passamos por momentos muito difíceis e de superação, mas essas dificuldades nos fortaleceram ainda mais e a viagem ajudou no nosso amadurecimento enquanto pessoas e artistas.
No mesmo ano, estreamos Apaga a luz (2003), em Garanhuns, na X Mostra de Artes Cênicas. Fizemos uma temporada no Joaquim Cardozo e fomos novamente à Curitiba, com o segundo texto montado do autor gaúcho Ronald Radde. Dessa vez, a prefeitura de Garanhuns nos deu suporte e viajamos com tudo o que precisávamos. Tivemos contato com os grandes críticos de teatro do país e aprendemos muito com eles. Foi muito válida a experiência obtida nas conversas com Beth Néspoli, Mário Vianna, Ivana Moura, Janaína Lima, entre outros. O contato com essas pessoas gerou debates informais importantíssimos sobre dramaturgia, estética teatral e linguagem cênica que até hoje nos orientam nas escolhas de nosso repertório.
Depois disso, passamos a ter um olhar mais apurado na escolha dos nossos textos e foi a partir daí que colocamos em prática um projeto antigo. A montagem de um dos maiores contistas brasileiros, o Caio Fernando Abreu, em Que muito amou (2004). A peça é uma livre adaptação do seu livro de contos, Os dragões não conhecem o paraíso. São histórias que giram em torno do amor, amor/morte, amor/saudade, amor/ódio, amor/amor. E é nesse turbilhão de sentimentos que a montagem se baseia. Foram escolhidos três contos: Sapatinhos Vermelhos, Praiazinha, e Dama da Noite. Estreamos novamente em Garanhuns na XI mostra de artes cênicas, em Junho de 2004, mas só fizemos temporadas no Recife a partir de 2005, nos teatros Arraial e Apolo.
O ano de 2004 marcou a volta dos trabalhos do grupo para uma pesquisa mais direcionada em cima da estética dos quadrinhos e desenhos animados, iniciada apenas como referência em Um gesto por outro. Foi aí que começamos a experimentar essa linguagem em esquetes.
Nosso trabalho tem como base os resultados dos laboratórios específicos para cada espetáculo, buscamos mergulhar no campo da experimentação e usamos muitas vezes os esquetes como forma de colocar em prática a linguagem cênica trabalhada, bem como os resultados em busca de nossa estética própria. Foi de vital importância a realização desses esquetes para avaliação dos nossos experimentos: A inquisição, de Felipe Botelho (2004); Esperando o gordo, de Sérgio Roveri (2005); e Os figuras, de Rafael Martins (2006) foram apresentados dentro do Projeto Curta Cena; Estranhos, de Rogério Mesquita (2005); e Dois Pra Lá, Dois Pra Cá, de Mario Vianna (2007) participaram do Pochade levando nos dois anos o segundo lugar, além de melhor figurino e ator Revelação (Gustavo Soares). Os esquetes são uma mola propulsora em nosso trabalho, tanto que Neuroses é um espetáculo formado em cima deste formato.
Também estendemos a linguagem em outros projetos que fomos convidados: nas leituras dramatizadas do Janeiro de Grande Espetáculos e no projeto dramaturgia do Sesc Pernambuco.
Com o resultado do aprofundamento das pesquisas e experimentações em cima da linguagem dos desenhos animados e dos quadrinhos, o Cênicas Cia. comemorou cinco anos de existência com o espetáculo Neuroses, a comédia (2006), que marcava a volta do grupo às comédias desde Um gesto por outro. O espetáculo é formado por cinco esquetes de humor inéditos no Recife, de dramaturgos contemporâneos. Os esquetes falam do cotidiano de pessoas comuns que manifestam as suas neuroses no dia-a-dia. Além dessa ligação, o que une as diferentes cenas é a linguagem dos quadrinhos, explorada nas suas mais diversas manifestações. Desde os quadrinhos em preto e branco até os mangás japoneses.
Existem alguns grupos de teatro cujos trabalhos tiveram influência na nossa pesquisa: Cia Armazém de Teatro, do Paulo de Moraes; Grupo Bagaceira (CE), Dimenti (BA), Vigor Mortis e Paulo Biscaia Filho, além do estudo da historicidade dos grupos teatrais recifenses.
Nesse mesmo ano aconteceu algo muito importante para o grupo, fomos contemplados com o prêmio do Concurso Especial de Montagem Jean Genet – Fundarpe. As Criadas (2006), de Jean Genet, foi o primeiro espetáculo da companhia dirigido por convidados. Chamamos a dupla Marcondes Lima e Kleber Lourenço, que fez um trabalho minucioso, trazendo para o universo de Genet as referências do teatro oriental bem como os Mangás Japoneses, dando continuidade à estética do grupo na linguagem dos quadrinhos. Foi importantíssima a iniciativa do Prêmio da Fundarpe, criado por Romildo Moreira para homenagear Genet nos vinte anos de sua morte.
Com As Criadas, conseguimos uma projeção importante do nosso trabalho, passamos por alguns dos principais festivais do Nordeste, sempre com ótima repercussão. Fizemos a nossa primeira temporada no Teatro Arraial. Nesse tempo, participamos do IX Festival Nacional de Teatro do Recife, em 2006. Logo no início de 2007, participamos do Janeiro de Grandes Espetáculos, recebendo os prêmios de melhor espetáculo, melhor ator (Jorge de Paula), melhor iluminação e melhor sonoplastia, além de ser indicados em todas as categorias. Veio na seqüência o convite o Sesc para participar do Festival Palco Giratório (Etapa Recife) e em seguida vieram outras parcerias com o Sesc. Fomos a Petrolina participar do III Festival de Artes do Sesc Petrolina – Aldeia do Velho Chico 2007, em setembro, onde tivemos um dos melhores debates com o público após uma apresentação; e, em novembro, chegamos à Mostra Cariri de Artes,no Ceará. No início de 2008, conseguimos levar pela primeira vez As Criadas para o interior do estado, numa parceria do Janeiro de Grandes Espetáculos com o Galpão das Artes em Limoeiro.
Foi no final de 2006 que intensificamos os encontros semanais para aprofundamento da estética o grupo, bem como para acrescentar à nossa pesquisa um novo tema, tendo como base a infância, uma vez que decidimos montar o nosso primeiro espetáculo voltado para este público. Trabalhamos as nossas memórias, nossas recordações sobre este período de nossas vidas, utilizando jogos e esquetes criados a partir de laboratórios. O resultado desse mergulho serviu como guia para os nossos dois próximos trabalhos: Pinóquio e suas desventuras (2008), de Antônio Rodrigues; e Memórias (título provisório). Nosso próximo trabalho adulto não tem data prevista para estréia.
Ficamos muito felizes no final de 2007 com a premiação de Pinóquio no Fomento às Artes Cênicas da Prefeitura do Recife, viabilizando assim esse nosso sonho. Pinóquio tem previsão de estréia para setembro de 2008. O nosso primeiro infantil está sendo tratado com muito carinho e dedicação, além dos laboratórios desde o inicio de 2007, entramos em treinamento específico desde o final do carnaval de 2008. Temos três fontes de inspiração: a linguagem metateatral, na qual a cena se passa num teatro inserido dentro de outro, num jogo onde personagens e figuras animadas irão permear a encenação; o teatro de marionetes do século passado; e as histórias em quadrinhos, essa última enfatizando a nossa pesquisa de linguagem iniciada desde as primeiras montagens e culminada nos espetáculos Neuroses (que tinha influência dos desenhos animados) e As Criadas (com influência dos mangás japoneses).
Decidimos por essa escolha dramatúrgica devido à grande identificação da obra de Collodi com os aspectos comportamentais das crianças de hoje. Por isso, esse texto clássico em sua versão original é muito abrangente e atual. Fazer uma adaptação mais fiel, baseada no original, traz à tona questionamentos que são mascarados nas versões mais suavizadas, como a da Disney. A morte da menina Azul, a prisão de Gepetto, a fome de Pinóquio e a crueldade inconsciente aliada à ingenuidade do personagem são alguns dos ingredientes desse caldeirão de aventuras, que traz uma imediata identificação.
O Cênicas Cia. em 2008 está completando sete anos de existência. Sabemos que estamos apenas dando o primeiros passos em nossa trajetória. Pretendemos, com o tempo, estabecer a nossa sede, desenvolver nossos projetos sociais, fazer circulação com os espetáculos, fortalecer o repertório e seguir intensificando ainda mais as nossas pesquisas bem como realizar trocas com outros grupos de teatro da cidade e de outros lugares.
Saudações Dionísicas!





